Neuropsicopedagogia Clinica e institucional

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Significado da Psicanálise

Significado da Psicanálise

O que é a Psicanálise:

Psicanálise é um ramo clínico teórico que se ocupa em explicar o funcionamento da mente humana, ajudando a tratar distúrbios mentais e neuroses. O objeto de estudo da psicanálise concentra-se na relação entre os desejos inconscientes e os comportamentos e sentimentos vividos pelas pessoas.
A teoria da psicanálise, também conhecida por “teoria da alma”, foi criada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud(1856 – 1939). De acordo com Freud, grande parte dos processos psíquicos da mente humana estão em estado de inconsciência, sendo estes dominados pelos desejos sexuais.
Todos os desejos, lembranças e instintos reprimidos estariam “armazenados” no inconsciente das pessoas e, através de métodos de associações, o psicanalista – profissional que pratica a psicanálise – conseguiria analisar e encontrar os motivos de determinadas neuroses ou a explicação de certos comportamentos peculiares dos seus pacientes, por exemplo.
Etimologicamente, o termo psicanálise é uma referência ao grego psyche, que literalmente significa “respiração” ou “sopro”, mas que possui um conceito mais complexo, relacionado com as ideias modernas do que seria o espírito, o ego e a alma das pessoas.
Ver também: o significado da Psique.

Teoria da Psicanálise

Os princípios básicos desta teoria desenvolvida por Freud estariam sintetizados nas três principais obras publicadas pelo neurologista: “Interpretação dos Sonhos” (1899), “Psicopatologia da Vida Cotidiana” (1904), e “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” (1905).
Em suma, o estudo de Freud representa a chamada “teoria geral da personalidade”, que consiste num método de psicoterapia. Para que haja o correto entendimento dos processos mentais a partir da ótica da psicanálise, é necessário distinguir os três níveis de consciência do ser humano:
Consciente: é o estado em que sabemos (temos consciência) daquilo que pensamos, sentimentos, falamos e fazemos. São todas as ideias que os indivíduos estão cientes de existir / pensar.
Pré-consciente: é o estado das ideias que estão inconscientes, mas que podem voltar a ser conscientes, caso haja o correto direcionamento da atenção dos indivíduos para elas. Os pensamentos que se encontram neste estado, por exemplo, podem ser percebidos a partir dos sonhos.
Inconsciente: onde ficam guardados todos os desejos e ideias reprimidas, censuradas e inacessíveis ao estado consciente, mas que acabam por afetar os comportamentos e sentimentos dos indivíduos.
Assim, a partir da observação, o psicanalista consegue identificar vestígios de traumas, desejos ou ideias que tenham sido reprimidas para o inconsciente do paciente e que, como consequência, provoquem distúrbios comportamentais e neuroses.

Formação da Inconsciência

Ainda de acordo com a Teoria da Psicanálise de Freud, o inconsciente humano é subdividido em três elementos que auxiliam no equilíbrio e regulação do comportamento do indivíduo.
Id: onde se encontram os instintos e pulsões relacionados ao prazer, como os desejos inconscientemente carnais, materiais e sexuais, por exemplo.
Ego: caracteriza a personalidade de cada indivíduo, agindo como o equilíbrio do Id (princípios dos prazeres inconscientes) e do superego (as regras morais que limitam a extravagância do Id).
Superego: monitora a mente humana, mantendo-a sempre alerta aos princípios da moral, evitando que ocorram desvios exagerados em direção ao Id.

Desenvolvimento Psico-sexual

Um dos pontos mais polêmicos do estudo de Freud está no fato do psicanalista afirmar que a personalidade dos indivíduos está relacionada com o desenvolvimento sexual do indivíduo ainda durante os primeiros anos de vida.
Para a psicanálise freudiana o ser humano passa por cinco fases para completar o seu processo psico-sexual, caso haja algum problema no desenvolvimento de uma dessas fases, o resultado pode aparecer na forma de distúrbios ou neuroses futuras, durante a vida adulta.
  • Fase oral: durante o primeiro ano de vida, o bebê sente prazer ao estimular a sua boca, seja através de chupeta ou levando outros objetos em direção aos lábios. Caso esta fase não seja corretamente ultrapassada, segundo a teoria de Freud, a pessoa pode desenvolver obsessões, como a gula, falar em demasia e etc.
  • Fase anal: entre o segundo e terceiro ano de vida a criança se satisfaz com a expulsão ou retenção de suas fezes. A fixação exagerada por organização e limpezas pode ser uma das consequências para o mau desenvolvimento desta frase.
  • Fase fálica: entre o quarto e quinto ano de vida, quando a criança descobre o seu sexo e sente prazer ao manusear o seu órgão sexual. Freud também explica que é nesta fase que tem inicio o chamado “Complexo de Édipo”.
Saiba mais sobre o significado do Complexo de Édipo.
  • Fase de latência: do quinto ao décimo segundo ano de vida, quando ocorre a construção do pensamento lógico e supressão dos impulsos sexuais, fazendo com que o indivíduo passe a ter mais controle da sua vida psíquica.
  • Fase genital: a partir do décimo segundo ano de vida em diante, quando o indivíduo já entrou na adolescência, trocando o interesse de si próprio para a de outras pessoas ou coisas ao seu redor. Nesta fase começam as ligações e desejos por outras pessoas, por atividades sociais e humanas, por exemplo.

Psicanálise Lacaniana

É tido como o “aperfeiçoamento” do método psicanalítico desenvolvido por Freud. A psicanálise lacaniana foi criada por Jacques Lacan (1901 – 1981), um psicanalista francês que acreditava ser o seu modelo psicanalítico não uma ciência, mas uma “escola”, onde o paciente é direcionado a identificar o núcleo do seu ser.
Contrariando os psicanalistas pós-freudianos, a Psicanálise de Lacan defendia um “retorno a Freud”, recorrendo aos seus textos e ideias originais para formular uma releitura atualizada.
Diferentemente das bases freudianas, concentradas nos conhecimentos da física e biologia, o Lacanismo é focado principalmente na estrutura da linguagem e da lógica.

Psicanálise e Psicologia

A psicanálise atua de modo totalmente independente na psicologia, sendo esta última uma ciência responsável por estudar os processos mentais e o comportamento humano.
A psicanálise, por outro lado, consiste num método de estudo terapêutico (psicoterapia) específico, que se foca na interpretação dos processos da psique no nível do inconsciente humano, com a intenção de tratar distúrbios mentais ou neuroses, por exemplo.
Saiba mais sobre a Psicologia e Psicanalista.
O profissional que se forma em psicologia pode se especializar teoricamente em diferentes métodos de abordagem terapêutica, como a própria psicanálise, o Behaviorismo e a Gestalt.
Ver também: o significado do Behaviorismo e da Gestalt.
Data de atualização: 20/02/2019.
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COISAS DA MENTE !

Isso é verdade,não é um paradigma.
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quinta-feira, 18 de abril de 2019

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quarta-feira, 17 de abril de 2019




IBPC – Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica
IBPC – INSTITUTO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE CLÍNICA
Instituto e Curso de Formação em Psicanálise
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Regulamento IBPC e OBP

Instituto Brasileiro de Psicanálise e Ordem Brasileira dos Psicanalistas

O IBPC, Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica, por si ou por meio da marca OBP, Ordem Brasileira dos Psicanalistas, marcas fantasia de direito privado, situada em Campinas (SP), situada na Rua Bernardino de Campos, 230 – Torre Alpha, 101, fixa as regras para filiação de profissionais psicanalistas, nos seguintes termos:
1. A documentação exigida do postulante, apresentada na primeira inscrição e a cada renovação anual, é:
a) CPF e RG ou CNH ou RNE;
b) Certificado de Conclusão em Curso de Formação em Psicanálise e/ou Histórico Escolar, ministrado por escola específica, instituto ou sociedade psicanalítica, contemplando teoria, supervisão e análise, com carga horária total mínima de 900 horas de atividades.
c) Atestado de Antecedentes Criminais emitido há menos de 90 dias por departamento de polícia ou correlato, do estado de domicílio do postulante.
d) Diploma e Histórico Escolar de curso superior (bacharel, licenciatura, tecnólogo); caso não tenha concluído, apresentar declaração da instituição de ensino superior de que está cursando.
e) Termo de Responsabilidade assinado (modelo no Anexo I), datado e reconhecido firma, identificando o postulante (nome, endereço, CPF/RG, estado civil, profissão).
2. Como primeira etapa, o interessado remete a documentação (com cópias autenticadas e assinaturas com reconhecimento de firma por autenticidade) informada no item 1, para validação. Uma vez validada a documentação, o interessado efetua o pagamento da anuidade no valor de um salário mínimo.
Parágrafo Primeiro: A validade da anuidade contar-se-á 365 dias da data da emissão da carteirinha pela OBP, ou da data de inscrição como filiado ao IBPC.
Parágrafo Segundo: A carteirinha não vale como documento estudantil de desconto, nem tem valor se descumprido qualquer termo deste regulamento, ou após a expiração da validade.
Parágrafo Terceiro: Para renovação, o interessado deverá apresentar a mesma documentação novamente, no prazo de 90 dias antes do vencimento da anuidade vigente, para evitar a descontinuidade do credenciamento.
Parágrafo Quarto: Os alunos concluintes do Curso de Formação em Psicanálise Clínica do IBPC (www.psicanaliseclinica.com) terão isenção da primeira anuidade do IBPC e da OBP. Neste caso, o credenciamento também deve cumprir o exigido neste Regulamento, sem obrigação prévia à OBP ou ao IBPC de efetivação de credenciamento de solicitação com documentação probatória insuficiente.
Parágrafo Quinto: A recusa do IBPC em credenciar o concluinte do Curso de Formação em Psicanálise Clínica no Instituto ou na OBP não invalida o certificado nem justifica restituição dos valores pagos por aquele Curso, apenas implica a recusa de credenciamento nesses meios (o interessado poderá pleitear vinculação a outro instituto, sociedade ou sindicato de psicanalistas, submetendo o certificado do Curso e outros documentos requeridos pela outra instituição, a quem competirá aceitar ou recusar a filiação).
3. Além da carteirinha, o filiado fará jus a newsletter (atualizações de conteúdo profissional enviado semanal ou quinzenalmente por e-mail) e associação ao IBPC (para fins de networking e aperfeiçoamento), além de Supervisão em encontros online e/ou presenciais no mínimo mensais (conforme calendário semestral divulgado pelo IBPC em janeiro e julho de cada ano).
Parágrafo Único: O IBPC e a OBP não oferecerá suportes, produtos ou serviços que excedam o previsto no “caput”, inclusive não oferecerá sessões individuais de Análise, que devem ser contratadas à parte junto ao Instituto ou junto a outro psicanalista à escolha do filiado.
4. O IBPC e a OBP colocam-se no direito de cancelar sem aviso prévio o credenciamento do profissional que não tiver cumprido ou deixar de cumprir os requisitos de filiação, depois de aviso simples por correio ou e-mail eletrônico, informações de endereçamento que o credenciado obriga-se a manter atualizadas.
ANEXO I. “DECLARAÇÃO.
Eu, ___(nome), CPF _____, RG/RNE _____, domiciliado(a) na (endereço completo, com Rua, nº, complemento, bairro, CEP, cidade e estado), e-mail ______, telefone (___)_____, profissão_____, estado civil_____, declaro para todos os fins de direito que:
(1) sou formado em psicanálise em Curso de Formação em Psicanálise, ministrado por escola específica, instituto psicanalítico ou sociedade psicanalítica, contemplando teoria, supervisão e análise, com carga horária total mínima de 900 horas de atividades;
(2) sou portador de diploma de curso superior (bacharel, licenciatura, tecnólogo), ou estou cursando.
(3) sinto-me apto para o exercício responsável da profissão de psicanalista;
(4) não excederei o método de abordagem da psicanálise; notadamente, não invadirei abordagens reservadas a outros profissionais, como psicólogos ou médicos;
(5) não utilizarei do ofício, do nome do IBPC ou da OBP ou de suas credenciais para adotar conduta que destoe das práticas éticas e convencionais do exercício profissional;
(6) não estou sendo investigado por crime de qualquer natureza, nem há contra mim processo cível que questione meus métodos de trabalho e minha conduta profissional;
(7) sou analisando junto a outro profissional psicanalista capacitado, com frequência habitual de seções no mínimo quinzenal, e autorizo o IBPC ou a OBP a requerer de mim ou do profissional a confirmação deste item.
Por ser verdade, firmo a presente
Local e data: ____________, ___ de _____________ de _____.
Assinatura”



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Atendimento clinico



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Conselho Editorial independente do Curso (a participação não é reservada apenas a alunos ou filiados ao IBPC).

Blog de Artigos Grátis

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Popularização da Psicanálise

Promovendo a teoria psicanalítica de forma acessível.

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O IBPC oferece acesso gratuito a artigos e vídeos, com a finalidade de popularizar o acesso ao saber psicanalítico.
Os conteúdos são gratuitos e integram o maior conjunto de artigos abertos em língua portuguesa.

Supervisão para Profissionais Formados

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A Supervisão é forma de se aprofundar...

... e debater seus casos com outros profissionais.

SUPERVISÃO PARA PSICANALISTAS

A convenção internacional recomenda que o psicanalista em atuação siga sempre em Supervisão.
A Supervisão do IBPC é um espaço para debate de estudos de caso do profissional, de newsletter semanal com conteúdos para aperfeiçoamento profissional e um lugar virtual de encontro para network profissional.
Os alunos concluintes no Curso de Formação em Psicanálise do IBPC têm um ano de anuidade grátis ao Instituto, a partir do mês subsequente à conclusão do Curso.

Ordem Brasileira de Psicanalistas

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Atuação em Defesa da Profissão

Credencial (carteirinhas) para membros.

OBP - ORDEM BRASILEIRA DE PSICANALISTAS

Não se trata de fator obrigatório, mas muitos profissionais requerem a Carteirinha de Psicanalista (para profissionais e ex-alunos que cumpram os requisitos). Além disso, sentem-se mais protegidos com uma associação representativa de classe para atuar em defesa da profissão.
Pela teoria freudiana, não existe nem pode existir um conselho ou ordem (estrito senso), pelo caráter leigo da Psicanálise.
A OBP é marca que representa a divisão do IBPC responsável pela emissão de credenciais e pelo debate em favor do exercício profissional responsável, monitorado e aberto (leigo).

Análise

Atendimento analítico em Campinas

Atendimento individual, casais e em grupo

Aberto ao público interno e externo ao IBPC.

ATENDIMENTO

Os profissionais do IBPC realizam atendimento psicanalíticoindividual, para casais e em grupo.
As sessões são realizadas nos consultórios dos profissionais, em Campinas (SP).
Fale conosco para verificar disponibilidade de agendamento.
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Epicurismo,Estoicismo e cinismo.

Introdução

A morte de Alexandre III em -323 assinala, tradicionalmente, o fim da pólis como modelo de unidade política e o começo da difusão da cultura grega no Oriente. Nem mesmo a meteórica expansão de Roma e a conquista das monarquias helenísticas foi capaz de afetar, posteriormente, a predominância cultural do helenismo em todo o Mediterrâneo Oriental.
Durante o conturbado Período Helenístico, o homem deixou de ser o componente mais importante de uma comunidade restrita para se tornar um simples cidadão de vastos impérios. A perda da importância política individual fez muitos se dedicarem cada vez mais à busca da felicidade pessoal através da religião, da magia ou da Filosofia.
As principais escolas filosóficas[1] do Período Helenístico foram o cinismo, o ceticismo, o epicurismo e o estoicismo. Todas procuravam, basicamente, estabelecer um conjunto de preceitos racionais para dirigir a vida de cada um e, através da ausência do sofrimento, chegar à felicidade e ao bem-estar.
Das antigas escolas filosóficas, a Academia envolveu-se durante algum tempo com o ceticismo, e depois voltou ao caminho original, traçado por Platão; o Liceu, fundado por Aristóteles, afastou-se cada vez mais da filosofia e da erudição e se devotou, principalmente, à literatura.

Epicurismo

Dentre os diversos filósofos epicuristas cujo nome chegou até nós, o de maior importância é o próprio Epicuro (gr. Ἐπίκουρος), fundador da escola.
Biografia e obras de Epicuro
Epicuro nasceu em Samos por volta de -341, de pais atenienses. Ensinou em Mitilene e em Lâmpsaco, tendo se transferido para Atenas em -307 ou -306. Lá adquiriu a ampla casa com jardim que iria sediar sua escola, logo conhecida por “Jardim de Epicuro”. Nela, mestres e discípulos viviam comunitariamente em tranquila reclusão.
Segundo Diógenes Laércio, Epicuro escreveu cerca de trezentas obras sem citar outros autores, isto é, registrando somente suas próprias idéias (D.L. 10.26-27). Chegaram até nós apenas três cartas, duas coleções de máximas e citações fragmentárias. O romano Lucrécio (-94/-55), felizmente, preservou em seu De Rerum Natura informações importantes a respeito da doutrina epicurista.
Epicuro morreu em -270, em Atenas, por causa de cálculos renais, e legou seus bens à escola.

A doutrina epicurista

A aquisição do saber e a limitação dos desejos físicos, instáveis por natureza, são instrumentos essenciais para se libertar dos sofrimentos. A finalidade da vida é a busca da felicidade, obtida ao se atingir a ataraxia (gr. ἀταραξία), a “ausência de distúrbios”, a tranquilidade da alma. Para tanto, é necessário se livrar de todas as ansiedades, inclusive o medo dos deuses e o medo da morte.
Influenciado pelos atomistas, para quem o mundo era constituído de átomos e de vazios, Epicuro também explicava o mundo físico assim, em termos inteiramente naturais. Mas para ele a natureza não era, de modo algum, rígida; nada era imutável e determinado. Movimentos espontâneos e aleatórios dos átomos em seu trajeto normal, por exemplo, dariam ensejo ao livre arbítrio. De tudo o que existe emanam átomos que, ao se chocar com o corpo humano, tornam a realidade inteiramente apreensível pelos sentidos e produzem as idéias.
Epicuro acreditava na existência dos deuses, mas relegava-os a planos isolados e à parte, os intermundia, e rejeitava terminantemente a intervenção divina em assuntos humanos. “Os deuses”, concluiu ele, “têm coisas mais importantes a fazer”.


Estoicismo

A escola estóica floresceu durante muitos séculos, tanto na Grécia como em Roma. A palavra estoicismo vem de stoá, da expressão grega στοά ποικίλη, o “pórtico pintado” de Atenas[1] onde o fundador da escola, Zênon de Cítion, se reunia com os discípulos.
Fases
Tradicionalmente, a evolução do estoicismo é dividido em três fases, conhecidas por stoá antiga, média e nova.
A stoá antiga compreende a época do fundador, Zênon de Cítio (-333/-262), e dos primeiros escolarcas atenienses, Cleante de Assos (-331/-232) e Crisipo de Soli (-280/-207). Com a stoá média, que abrange a época de Panécio de Rodes (-185/-109) e de Posidônio de Apaméia (-135/-51), o estoicismo recebeu grande influência do platonismo e chegou a Roma.
Na última fase, a da stoá nova, o estoicismo foi dominado pelos romanos e seus principais representantes foram Lucius Annaeus Seneca (Sêneca, o Jovem, -4/65), Epicteto (55/135) e o imperador romano Marco Aurélio (121/180); somente os dois últimos deixaram obras em grego.
O estoicismo influenciou consideravelmente o neoplatonismo e, embora nunca tenha desaparecido totalmente, a vitalidade e a importância da escola declinaram progressivamente a partir do século III.
A doutrina estóica
O que sabemos atualmente da doutrina estóica se baseia um pouco nos fragmentos disponíveis dos primeiros filósofos e muito nos escritos dos filósofos do Período Greco-romano (stoá nova).
O estoicismo não veio propriamente do nada. Os filósofos da stoá antiga, que estabeleceram a base da doutrina, receberam diversas influências. Heráclito de Éfeso, por exemplo, influenciou a Física; Diodoro Crono (c. -300), a Lógica; os cínicos e, consequentemente, Sócrates, a Ética. É praticamente impossível determinar com certeza a contribuição individual dos estóicos mais antigos. Para Zênon, aparentemente, a virtude era o objetivo final da vida, e prazer e dor não tinham importância; Cleante, em seu Hino a Zeus, discorreu sobre o livre-arbítrio; Crisipo sistematizou a doutrina em um sistema coerente que compreendia a Lógica, a Física e a Ética e parece ter se interessado, predominantemente, pela Lógica.
Para os estóicos, o universo é constituído de um aspecto passivo, a matéria, e de um elemento ativo, coesivo e criativo que permeia a alma de tudo o que existe; a alma humana é uma parcela desse elemento ativo e, portante, parte do todo. Para esse “princípio ativo”, visto como uma entidade suprema que cuida da humanidade, diversos nomes eram usados: “o deus”, Zeus, éter, fogo criativo, destino, ordem, λόγος (“razão”), etc. O universo é cíclico: começa com o elemento ativo, depois são criados e organizados os quatro elementos (água, fogo terrestre, ar e terra) e, finalmente, o fim chega com uma conflagração. A Terra é o núcleo do universo. Os ciclos são autônomos e se repetem indefinidamente, sempre com o mesmos detalhes: a recorrência de todas as coisas é eterna.
A lógica estóica, muito complexa, era primariamente dedutiva e estava baseada na razão e na argumentação que envolvia três aspectos da palavra: o som (φωνή), a significância (λεκτόν) e o objeto designado pelo som significante (ἐκτός ὑποκειμένων). Os principais significantes eram as asserções, que podiam ser ligadas por sequências complexas de condicionais (se …, então …) cujo valor era dado tão-somente pela veracidade de cada elemento. Essa lógica não se baseava em silogismos[2], como a de Aristóteles.
A ética, uma das constribuições estóicas mais conhecidas, consistia em viver de acordo com a natureza, i.e., conforme as leis gerais com que o “elemento ativo” controla o universo. A virtude é o bem supremo e pode ser atingida pela inteligência (saber o que é bom e mau), pela bravura (saber o que temer ou não temer), pela justiça (saber o que cabe a cada um) e pelo auto-controle (saber quais paixões moderar ou extinguir). Assim, aderindo à ordem natural do universo, o sábio consegue atingir a apatia ou indiferença (ἀπάθεια) diante dos acontecimentos e chegar à felicidade (εὐδαιμονία), tornando-se então semelhante ao princípio ativo que permeia e periodicamente recria o universo.

Sêneca

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